Válter Hugo Mãe encanta comunidade educativa do Agrupamento Escolas Dr. Ferreira da Silva

No dia 13 de março, o auditório da EBS Dr. Ferreira da Silva foi pequeno para os alunos do ensino secundário e docentes do agrupamento de escolas que quiseram assistir à sessão que teve como protagonista o escritor Válter Hugo Mãe, um dos mais destacados autores portugueses da atualidade.

Autor de várias obras, entre as quais A desumanização,  O filho de mil homens, A máquina de fazer espanhóis  (Grande Prémio Portugal Telecom, Melhor Livro do Ano e Prémio Portugal Telecom, Melhor Romance do Ano); O remorso de Baltazar Serapião  (Prémio Literário José Saramago), divulgadas junto dos alunos. Para além da escrita, dedica-se à pintura e à música que considera essenciais na sua vida. Salientou ainda o seu gosto por viajar e que o deve, sobretudo, ao estatuto que conseguiu atingir enquanto escritor.

Adotou o pseudónimo Mãe como forma de se filiar à delicadeza feminina que, para ele, é essencial na vida e porque considera as mães os seres mais obstinados e que estão mais longe na experiência da vida.

Ao longo da sessão, o autor referiu vários aspetos da sua vida profissional e pessoal, caracterizando-se como uma pessoa tímida, falando das dificuldades sentidas, sobretudo, na adolescência, um período da sua vida que não quer ter memórias, por ter sido um tempo solitário, de rejeição do seu aspeto físico, das dificuldades no relacionamento com as raparigas, mas que conseguiu ultrapassar, situação comum a muitos jovens. Disse ainda ser um “menino da mamã” com orgulho, mãe com quem vive e de quem cuida, considerando um ciclo natural da vida.

Deixou um sinal de esperança aos presentes considerando que há ciclos menos positivos na vida de cada um de nós mas que vale a pena lutar, não desistir porque o futuro está lá e é risonho.

Questionado pelos alunos, o autor referiu que nos seus primeiros quatro romances, conhecidos como a tetralogia das minúsculas, integralmente escritos sem letras maiúsculas, pretendia chamar a atenção para a natureza oral dos textos e o retorno da literatura à liberdade primeira do pensamento. As minúsculas aludem também a um sentido de igualdade, ainda que uma utopia, segundo o autor, a uma certa democracia que igualava as palavras na sua grafia para deixar a decisão ao leitor de decidir o que devia ou não ser destacado.

No final decorreu a sessão de autógrafos onde o autor, para além da habitual dedicatória, fez um desenho.