CES vai à Escola - Como se criam os mitos?
O programa CES vai à Escola entrelaçou-se, mais uma vez, com a Escola Básica e Secundária Dr. Ferreira da Siva, articulando as Aprendizagens Essenciais de História A com a Estratégia de Educação para a Cidadania. Assim, na Biblioteca Escolar, no dia 24 de janeiro, realizou-se uma palestra designada “Como se criam os mitos? A arte de D. João V, o palácio-convento de Mafra e muitas (fanta)histórias”, com a investigadora do Centro de Ciências Sociais de Coimbra – Giuseppina Raggi.
Esta sessão, destinada aos alunos do 11.º A - Línguas e Humanidades e 11.º B - Artes Virtuais, centrou a atenção no reinado de D. João V, colocando a tónica na análise crítica e atenta das fontes, e veio reforçar a consciência do quanto o conhecimento histórico/científico está sempre em construção, graças ao papel da investigação científica. Deste modo, desconstruíram-se alguns mitos e os alunos foram convidados a ir ao encontro dos sonhos e projetos de D. João V. Projetos estes que passavam pela renovação/modernização da cidade de Lisboa que o rei pretendia que adquirisse o carácter imperial e patriarcal, inspirando-se para tal na grandiosidade do Império Romano (ex.: o Palatino Antigo). Uma grandiosidade que lembra mais a austeridade dos Habsburgos (palácios residenciais de Inverno e de Verão), por influência de sua esposa Maria Anna de Áustria, do que a do Palácio de Versalhes, contrariando o que se costuma afirmar. O Palácio Real de Versalhes do qual também se distancia o Palácio de Mafra, pois trata-se de um palácio convento. Com esta sessão, consolidou-se a ideia de que D. João V procurou sempre a grandiosidade, a exuberância e a ostentação e, portanto, contornou a simplicidade e humildade exigidas pelos frades arrábidos (franciscanos descalços), ao exigir a utilização de materiais ricos, como é o caso do mármore.
Esta palestra foi uma oportunidade para os discentes aprofundarem conhecimentos e aprendizagens e foi um testemunho do quanto é importante estabelecer um constante diálogo entre os centros de investigação, as escolas e as respetivas práticas pedagógicas.