Dr. Ferreira da Silva

Dr Ferreira SilvaAntónio Joaquim Ferreira da Silva nasceu numa das celas que existiam no mosteiro de Cucujães. Uns anos antes de nascer, em 1834, deu-se a extinção do mosteiro de S. Martinho de Cucujães. Entre aquele ano e 1837, as propriedades do mosteiro ficaram nas mãos do Estado.

Neste último ano, um comerciante do Porto, Francisco Joaquim Maia, comprou o antigo mosteiro. Manteve-o na sua posse até 1850, ano em que o vendeu a Joaquim António Ferreira da Silva e a sua mulher, Júlia Flávia de Moura. Este casal, tios de António Joaquim Ferreira da Silva, manteve o mosteiro na sua posse até ano de 1868.

Naquele mosteiro, que passou a ser conhecido como a Quinta da Boavista, nasceu, a 28 de Julho de 1853, António Joaquim Ferreira da Silva.

António era o filho mais velho de António Joaquim Ferreira da Silva e de Margarida Emília Ferreira.

A mãe, uma senhora muito religiosa, era natural do lugar da Manta e era filha de Manuel Ferreira, que tinha sido, entre 1837 e 1850, o feitor e procurador do mosteiro de Cucujães. O pai era de uma freguesia vizinha, Santiago de Riba – Ul.

Em 1869, no dia 24 de Abril, António Joaquim Ferreira da Silva ficou órfão de pai. A mãe ficou viúva e tinha quatro filhos para criar. Depois de ter concluído os estudos primários, desde 1865, António passou a viver no Porto, onde frequentou o liceu.

Terminado o liceu, em 1870, passou a frequentar algumas cadeiras no Instituto Industrial. Em Outubro daquele ano, fez exame de admissão à Academia Politécnica do Porto.

Matriculou-se na Academia e passou a frequentá-la. Ao mesmo tempo, continuava inscrito no Instituto Industrial.

No ano seguinte, em 1871, inscreveu-se num outro estabelecimento de ensino, o Seminário Episcopal do Porto.

Alberto de Aguiar, que foi seu amigo, escreveu sobre esse assunto as seguintes palavras: Estes dois anos de indecisão resultam da luta travada entre a sua vontade, que o arrastava para as ciências naturais, e o seu dever de filho obediente que o forçava à carreira eclesiástica, suprema aspiração de seus honrados pais.

Em Outubro de 1872, tinha conseguido resolver o problema e iniciou um curso superior: matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde, em 11 de Junho de 1876, concluiu o curso na Faculdade de Filosofia Natural. Estava preparado para ser professor e cientista.

No ano em que se formou, ocorreu uma grande mudança na sua terra natal: foi restaurada a ordem de São Bento em Cucujães, com o reverendo João Leite de Amorim a comprar as terras do antigo mosteiro. Na altura, o mosteiro pertencia a Manuel Joaquim da Fonseca, de Baião. Manuel da Fonseca tinha-o comprado, em 1868, ao tio de António Joaquim. Um descendente de Manuel da Fonseca será um famoso médico de Coimbra, Ângelo da Fonseca, que também nasceu naquele mosteiro no dia 14 de Dezembro de 1872.

Acabado o curso, devido às altas classificações que obteve e aos vários prémios que recebeu, António Joaquim Ferreira da Silva foi convidado para dar aulas na Universidade de Coimbra, mas não aceitou o cargo. Voltou para o Porto e concorreu a um lugar vago da Academia Politécnica, onde tinha estudado.

Para ser professor de Filosofia Natural, cargo para o qual foi nomeado em 24 de Maio de 1877, apresentou um trabalho intitulado Estudo sobre as classificações químicas dos compostos orgânicos – Coimbra, 1877.

Tornou-se então um prestigiado nome da Química em Portugal. Contam alguns dos seus amigos que Ferreira da Silva percebeu, muito cedo, que só a experiência e a prática o tornariam num verdadeiro químico. Todos os dias trabalhava no laboratório da Academia, de onde só saía a altas horas da noite.

Em 1880, António Joaquim Ferreira da Silva partiu para o Brasil. A viagem começou no mês de Agosto e tinha como finalidade o casamento. António, com vinte e sete anos, viria a casar, em 25 de Setembro de 1880, com uma prima em segundo grau, Idalina de Sousa Godinho. Idalina era filha do falecido Visconde de Santiago de Riba-Ul, que muito ajudara o sobrinho durante o seu curso universitário.

No ano em que se casou, tornar-se-ia ainda sócio fundador da Sociedade de Instrução do Porto. Um relatório sobre as águas do rio Sousa, que a Câmara do Porto lhe encomendou, provocou forte celeuma e uma polémica aguda.

Ferreira da Silva continuou a desenvolver as suas investigações científicas e publicou numerosos trabalhos.

Começou a ser conhecido em todo o país e no estrangeiro. Em 1882, por exemplo, tornou-se cavaleiro da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Nesse ano, foi convidado pela Câmara do Porto para instalar o laboratório municipal de análise das águas da cidade.

Em 1884, a Câmara Municipal do Porto convidou-o para o cargo de diretor do Laboratório Municipal de Química.

Foi também naquele ano que dois químicos famosos, Wurtz e Friedel, o propuseram para membro da Sociedade Química de Paris.

No ano seguinte, o governo português agraciou-o com a comenda da Ordem de S. Tiago de Mérito Científico e Literário.

A 30 de Abril, foi nomeado Par do Reino, pelo Colégio Científico.

Em 1889, o seu trabalho destacou-se, com estudos fundamentais para a questão da higiene da cidade do Porto.

No ano seguinte, quando foi criada em Cucujães uma filarmónica, pelo monge beneditino Plácido Gonçalves, a sua Acão foi fundamental na condenação do médico Urbino de Freitas, arguido num monstruoso crime de envenenamento. Ferreira da Silva publicou uma veemente defesa do seu trabalho e dos seus colaboradores.

No dia 3 de Outubro de 1904, num ato de justiça, a Junta de Paróquia de Cucujães prestou-lhe uma homenagem na sua terra natal. Ferreira da Silva fundou, no ano seguinte, a Revista de Química Pura e Aplicada, hoje Revista Portuguesa de Química.

A 1 de Outubro de 1908, Cucujães passou a ter uma estação de caminho-de-ferro. A estação foi inaugurada pelo próprio rei D. Manuel II, acompanhado por vários ministros, governador civil de Aveiro ou os bispos de Coimbra e do Porto. Ferreira da Silva foi, nesse ano, nomeado Cavaleiro da Legião de Honra da Sociedade Química de Paris.

Em 1910, com a instauração da República, o mosteiro de Cucujães voltou a pertencer ao Estado. No ano seguinte, foi inaugurada a Universidade do Porto. Ferreira da Silva passou a dar aulas na Faculdade de Ciências.

Em 1914, no ano em que morreu a sua mãe, Margarida Emília, foi publicada a obra Cucujães, do padre João Domingues Arede, com prefácio, escrito em Novembro, de António Joaquim Ferreira da Silva.

No dia 23 de Agosto de 1923, António Joaquim Ferreira da Silva morreu, na sua casa de Figueiredo, em S. Tiago de Riba Ul. O corpo foi transportado para o cemitério de Cucujães, onde foi enterrado no dia seguinte. Dois dias depois, o mosteiro onde nascera setenta anos antes foi comprado ao Estado, por trezentos e cinquenta contos, pelo missionário José Vicente do Sacramento.

Em 24 de Agosto de 1924, na sua terra natal, Cucujães, foi erguido um busto, no largo do cemitério, frente à casa onde nasceu.

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